Quarta-feira, Maio 22, 2013

Amostra sem valor ( 3 )



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A comunicação social, à noite, ocupou grande parte do seu espaço noticiando um desabafo de Passos Coelho pai, que acha que o filho deve entregar «isto», porque «isto» não tem conserto.

O ar da CS era do tipo de se até o pai diz isto, porque é que ele não se vai embora?
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Amostra sem valor ( 2 )



Não caiu...

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Antes do Conselho de Estado se iniciar, umas dezenas de manifestantes (não fui eu que contei, foi a repórter que disse) juntava-se perto do Palácio de Belém, chateados porque a polícia não os deixava aproximarem-se mais e lá foram dizendo as baboseiras do costume, à volta do «que se lixe a «troika».

A jovem de serviço à TVI24 andava num remoinho, no seu directo, descrevendo, excitada, a acção dos protestantes que, tirando os suspeitos do costume, se mantinham razoavelmente alheados do que se passava. Mas a repórter, não. Falava como se aquelas dezenas de manifestantes fossem mudar o país e, quem sabe o mundo, com a excitação dos audazes que se colam ao valor facial de uma coisa já sem face nenhuma.
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Amostra sem valor



[4900]

O cenário era magnífico. Já os adereços… eram de uma compungente realidade. No final do Conselho de Estado, os conselheiros iam saindo, circunspectos e altaneiros, com aquela naturalidade de quem sabe estar a ser filmado por mil câmaras. E de cada vez que passavam, ressoava a pergunta mais idiota imaginável no momento. Um ramalhete de repórteres espetava o microfone, ar acima, e perguntava: - Então, senhor doutor, o conselho correu bem? Ainda me mantive na expectativa de ouvir algum dos conselheiros dizer: - Olhe menina, uma chatice, correu tudo mal, uma autêntica bosta. Estamos feitos ao bife

Mas ninguém se manifestou, ocupados que vinham a falar uns com os outros. Apenas Jorge Sampaio disse uma graçola à la mode, dizendo que se admirava como é que os repórteres tinham paciência para ficar ali tanto tempo. Fê-lo com aquele risinho que aprendeu e desenvolveu dos tempos em que dizia que havia vida para além do défice. E Mário Soares, naturalmente, disse que tinha de ir jantar. Porque está doente.
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Terça-feira, Maio 21, 2013

A resposta do Martim e «da vida e da morte dos idiotas»



A Professora Doutora Raquel a ralhar com o Martim

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A Raquel não tem culpa. A culpa é do caldo de cultura em que nos mergulharam e onde tudo se confunde, inverte e perverte, em nome de qualquer coisa que não é ideologia, mas que soa bem nas gentes, que somos nós, incapazes de disfarçar um arrepiante complexo de inferioridade, antes tentando mimetizá-lo numa superioridade inata dos povos justos, esclarecidos, cultos e solidários que somos todos nós. Pelo menos aqueles que tiveram a ventura de estudar, mesmo que pelos compêndios do nosso descontentamento.

Por isso, estamos cheios de «Raquéis». Na comunicação social, nos escritórios de advogados, nas enfermarias de muitos hospitais, nas salas de muitas universidades, nos sindicatos em geral e até na tropa. Onde explanamos a nossa imensa superioridade moral através de uma visão distorcida dos valores individuais e do primado da iniciativa, do arrojo e do espírito empreendedor de muitos de nós, rápida e sistematicamente castrados pelas «Raquéis» de serviço.

No fundo, a Raquel é uma bimba. E aos bimbos, qualquer minuto de visibilidade pública vale mais que mil postos de trabalho. E àqueles que vacilam entre se devemos mudar o país ou mudar de país, eu digo que devíamos era mudar de portugueses.

Vídeo da resposta do Martim, aqui
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De volta


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Faz hoje exactamente um mês que este blogue esteve inactivo. Por razões meramente circunstanciais e, também, pela necessidade que até os gansos têm de um período sabático. Mesmo os mais «charmosos». Está-lhes nas tripas, tal como nos humanos.

Reposta a normalidade «ambiental», não fosse este tornar-se um blogue paranormal gerido por um bloguista debilitado, para glosar o insigne socialista açoreano César ao referir-se ao Conselho de Estado e ao Presidente da República, aqui estou, de novo, atento, venerador e obrigado à fenomenologia do ser, tal como descrevia o Sartre privativo de Sócrates, no tempo em que este se entretinha a fazer-nos a cama e gostava imenso de citações idiotas (mesmo que de harmonia com a sua arrepiante incultura) e não deixar que se cumpram, dentro de cerca de um mês, nove anos de blogosfera, com o blogue em hibernação idiota. Afinal, todos os dias há um motivo novo que pode ser usado, apesar de cada novo motivo ser quase sempre velho de novo, entenda-se cada vez mais iguais.

Uma palavra carinhosa para quem entendeu esta hibernação *, na sua exacta dimensão e lhe deu o tratamento devido.


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Segunda-feira, Abril 22, 2013

«Biodiversos»



Um grupo de pacíficos bloquistas tentando defender a biodiversidade de um campo de milho de um agricultor algarvio. 

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Hoje é o «Dia da Terra». Daí, a RTP achou que devia perguntar a Francisco Ferreira, da Quercus (aquele que quase todos os dias nos entra em casa a dizer para apagarmos as luzes e não gastarmos muita água no duche), um par de questões a propósito do dia. O nosso «Al Gore» lá enunciou meia dúzia de lugares comuns, tipo terras saturadas de fertilizantes e pesticidas, porque «a economia é que vale». Não explicou como é que ele sugere que não seja a economia a valer e como, sem ela, se faria agricultura em larga escala sem fertilizantes e pesticidas para alimentar os biliões de pessoas (milhares de milhões, eu sei…) que têm o hábito de comer todos os dias.

Ferreira rematou com os transgénicos, um tema em que ele, aposto, deve estar surpreendentemente informado. Daí a dizer que os transgénicos põem em risco a biodiversidade (palavra bonita e que vai bem com esta rapaziada) foi um passo pequenino. Ficou por saber como. Como e em que medida a biodiversidade é afectada pelos transgénicos. Mas ele também não explicou… e ficámos assim.
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Minuto de silêncio sem palmas


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Só os mais distraídos não terão reparado ainda que de há algum tempo para cá, os minutos de silêncio portugueses se tornaram, na maior parte das vezes, num minuto de palmas e assobios. Por mim, bater palmas durante um minuto de silêncio adultera, de todo, o sentido da acção. Mas os portugueses, originais como só eles, acharam que bater palmas é que é e decidiram tranformar o silêncio numa estrepitosa manifestação de ruído.

Em Londres decorreu a maratona da cidade. Antes, milhares de pessoas observaram um minuto de silêncio em memória das vítimas de Boston. E durante um minuto podia-se ouvir uma mosca. Um minuto de absoluto silêncio, em recolhimento e respeito. Como deve ser, afinal.
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Domingo, Abril 21, 2013

Por onde andaria Merkel em 1890?


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"Nós estamos num estado comparável apenas à Grécia: a mesma pobreza, a mesma indignidade política, a mesma trapalhada económica, a mesmo baixeza de carácter, a mesma decadência de espírito. Nos livros estrangeiros, nas revistas quando se fala num país caótico e que pela sua decadência progressiva, poderá vir a ser riscado do mapa da Europa, citam-se em paralelo, a Grécia e Portugal" 


(Eça de Queiroz, in As Farpas, 1890


Cá pelas minhas contas, Merkel ainda andava a fazer tijolo. E Hitler estava a nascer, mais coisa menos coisa. Mas para os intelectuais aborígenes e para a colecção dos comentadores da paróquia, tanto faz. Podíamos muito bem fazer como aqueles pais extremosos que batiam nos filhos logo de manhã e os filhos perguntavam: - Mas o que é que eu fiz? E os pais diziam: - Não fizeste, mas ao longo do dia vais fazer


Tivéssemos nós dado uma coça aos alemães nessa altura e hoje não éramos periféricos. Talvez nem a medonha Merkel tivesse nascido.
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Sábado, Abril 20, 2013

Repulsivo. Mangueira e esgoto...

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O Público avançou com uma notícia de encantar sobre os dois irmãos que assassinaram pessoas em Boston e provocaram mais de uma centena de feridos, incluindo desmembramentos.

A ternura com que se descreve a trajectória de vida dos manos tchetchenos só é emocionalmente comparável á conclusão que se pretende fazer tirar que os Estados Unidos são um país horrível que hostiliza os estrangeiros. Fica por saber porque diabo tanta gente continua a querer emigrar para os EEUU, mas isso nem vem já a propósito. De registar apenas a forma espúria e repulsiva como o Público descreve os manos que, coitados, receberam da sociedade americana causas fortíssimas para tentar matar um rol de gente na rua.

Escapa-me este pretenso estatuto em que os jornalistas se autoposicionaram, na ideia de que a liberdade de expressão lhes confere o direito de dizerem o que lhes apetece. E mais. Que alguém tem a obrigação de lhes pagar o salário. No caso concreto do Público, Belmiro até já se referiu ao seu próprio jornal e aos seus assalariados de forma bem vincada. Todavia, continua a suportar os prejuízos e a pagar a alguns cretinos para escreverem coisas como esta.
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X rated F1


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Há pouco, nos treinos de qualificação para o GP do Bahrain, Rosberg gritava na rádio para os engenheiros, queixando-se de que sentia uma coisa a abanar entre as pernas (ipsis verbis).

O treino acabou e não se falou mais no assunto. Espero bem que Rosberg se tenha cetificado devidamente e  chegado a uma conclusão válida sobre o que lhe estaria acontecendo. Até porque todos aguardamos vê-lo arrancar amanhã da pole position que, mesmo com coisas a abanar entre as pernas, conseguiu alcançar.
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Quarta-feira, Abril 17, 2013

Um medidor de maiorias


Seleccionei uma foto de Manuel Alegre. Mas depois lembrei-me que vi joje o primeiro vestido de alças, com o sol da Primavera. E achei que o post ficava bem melhor com um vestidinho de alças

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Estava a trabalhar, com a Tv em ruído de fundo. Umas passagens da entrevista de ontem de Manuel Alegre a Judite de Sousa chamaram-me a atenção e não pude deixar de ouvir, julgo que a propósito de Passos Coelho ter convidado Seguro para um encontro, que o PS é um Partido de diálogo (ele disse isto de uma forma mais avançada, qualquer coisa como o diálogo é uma forma identitária do PS, qualquer coisa por aí...) e, portanto, Seguro deveria (extraordinária esta usança paternalista dos mais iluminados) ir. Porque o PS é um Partido de diálogo... agooooora (está na moda este agoooooora) não lhe peçam é que vá contra as suas convicçõese contra aquilo que é correcto. Por outras palavras, dialogar sempre, desde que não seja contra o que pensam ou o que «acham». Ou seja os socialistas devem dialogar para dizerem o que pensam, que assim é que é e que eles é que sabem o que é correcto.

Mais à frente, Alegre, com o ar displicente com que tira um robalinho da Foz do Arelho, «acha» que este governo tem mesmo que sair. Porque tem maioria parlamentar mas não tem... maioria social. Independentemente de eu não saber bem o que é isto das maiorias sociais, presumi duas coisas. Que Alegre deve ter um qualquer medidor de maiorias sociais, porque ele sabe que maioria social já o governo não tem. E que nas próximas eleições a Comissão Nacional deveria ter duas urnas. Uma para o voto parlamentar e outra para o voto social. Nada de «misturanças».

Não há, definitivamente, pachorra para estes socialismos insolentes e em vias de fossilização.
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Terça-feira, Abril 16, 2013

Mandem lá o homem negociar...


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O homem tem-se oferecido, mas não lhe ligam nenhuma. Está farto de dizer que andamos a ser brutos com os terroristas e que isto é assim um bocadinho como as dívidas. Não se pagam. Tal como os terroristas não se matam. Negoceia-se com eles.

O resultado está à vista e mais uma tragédia se abateu sobre vítimas indefesas que se entretinham a assistir a uma final desportiva em Boston. Enquanto assassinam e não assassinam o Passos Coelho ou, pelo menos, Cavaco Silva, porque raio não mandar lá a creatura negociar com os incompreendidos terroristas? É tudo à bruta, tudo à bruta e depois é o que vemos. Mandem lá o Mário Soares negociar, chiça. Não é isso que ele diz que se tem de fazer?
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Nuvem branca



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A vida tem destas coisas. Não te posso dar flores. Ou uma jóia com a pureza dos diamantes. Não posso sequer oferecer-te um jantar mimento e confortável, num restaurante com varanda solarenga, debruçada sobre o casario de Lisboa, apetecido com as iguarias que gostas ou, sequer, um simples café, numa pastelaria acolhedora, com uma daquelas tartelettes de maçã que adoras.

Pensei e resolvi dar-te uma nuvem. Branca como a candura do teu espírito e fofa como o teu corpo. E vou soltá-la pelo ar, porque ela sabe o caminho e tu sabes que ela não se engana nem se desvia um milímetro da trilha que, afinal, é de ambos, nossa. Por isso, quando ao longo do dia sentires uma suave carícia no corpo, foi a nuvem que te viu lá de cima e se desfez em mil gotículas que te vão beijar a pele e desejar toda a felicidade do mundo. E nessas gotículas, o único pouquinho de mim que te posso dar neste momento.
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