Sábado, Julho 18, 2009

As melhores mangas do mundo


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Lá dizia Jorge Amado, na sua infinita sabedoria e disponibilidade de matéria-prima, que era impossível dormir com as mulheres todas do mundo. Mas um homem que se preze devia tentar sempre.

Com a devida vénia por direitos de autor, salvaguardadas as devidas distâncias entre uma mulher e uma manga (Mangifera indica) e reafirmadas aqui e agora a minha incontornável posição de reserva perante qualquer anedota machista, independentemente do gosto que me dá ouvir uma bem humorada piada sexista, por um lado ou pelo outro, com a devida vénia, dizia eu no início deste ror de desculpas e cautelas idiotas (não vá alguma das minhas amigas, familiares directos ou indirectos, colegas e/ou outras personal acquaintances, e vamos ao que interessa se não nunca mais chego lá, ao que quero dizer, entender-me mal) foi de Jorge Amado que me lembrei ao comer, mais uma vez, mas desta vez em profusão desbragada que me custou uma inusitada excitação peristáltica em locais embaraçosos como entrar num avião ou a meio de uma reunião com oficiais responsáveis pela agricultura de um país como o Senegal, aquela que passa por ser a melhor manga do mundo.

A manga da região da «L’Afrique de l’Ouest» é consabidamente a melhor manga do mundo. Moldados que estamos à imagem e ao paladar da manga enorme, enrijecida, de polpa de consistência entre a de um nabo saloio e um pepino de Bruxelas e paladar entre um quarto de Luso e uma talhada de melão branco de Almeirim cultivado em Huelva, degustar um manga senegalesa (ou maliana ou do Burkina) transporta-nos à evocação do pecado e à imediata contestação da máxima de Jorge Amado. Porque depois de comer uma manga do Senegal, todas as outras se tornam supérfluas, descartáveis. Grandes, rosadas/amareladas, de casca fina, sem fios, sumarentas ao ponto de nos obrigar a ir ao duche depois de comer uma, de aroma único e sabor cuja descrição não está ao alcance de um blogger pobrezinho como eu, transporta-nos a um mundo de pecado (e eu ainda gostava de saber desta tendência dos homens de relacionarem o prazer com o pecado, como se não houvesse prazeres bem compostinhos e pecados de sabor horrível, mas isso fica para outra ocasião).

Il faut manger. Allez-y às mangas senegalesas. São, mesmo, as melhores do mundo. E valem bem o aperto e embaraço de subir a escada de um avião a carregar o saco de viagem e achar que temos trinta segundos para chegar à casa de banho mais próxima.


E.T. A manga (Anacardeaceae, Mangifera, Mangifera indica) é uma nativa da Índia e de Burma (Myanmar), sendo particularmente abundante na região de Goa. Presume-se que os portugueses tenham tido um papel muito activo na disseminação da mangueira em África e no Brasil.

É um fruto muito rico em fibra, sais minerais, vitaminas e proteínas, muito nutritivo, portanto. Deve-se evitar comer mangas verdes porque o seu sumo tem, nesta fase de desenvolvimento, propriedades abortivas.

Os maiores produtores mundiais de mangas são o Brasil, México, Paquistão, Índia e África do Sul. Só o Brasil produz anualmente cerca de 600.000 toneladas de mangas, das quais exporta cerca de 100.000 toneladas. A extraordinária qualidade de aroma, sabor e consistência de polpa das mangas de alguns países do Sahel tem concitado o interesse de alguns países na sua exportação para a Europa, assistindo-se a um reconhecido esforço de alguns governos da região nesse sentido.

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Becagueine


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Regressado a casa, depois de uma viagem de trabalho um pouco mais longa do que o previsto, o pormenor que mais me despertou do torpor morno da tropicalidade foi a mudança brusca dos noticiários. Das notícias de televisão de extracção francesa, reconhecidamente sóbrias, abrangentes e interessantes passei à metralha incessante da intriga nacional á volta de patetices e manifestações de insuportável e pueril saloiice. É triste mas é verdade. Talvez este meu desabafo tenha a ver com o acto de Louçã ter sido o primeiro político (????) que ouvi, perorando sobre os desígnios inelutáveis do Bloco na luta contra as prrrrrrráticas parrrrrrrrrrrrrasitárrrrias deste goverrrrrrrrrrrrrrno ( e confesso que nem me lembro já do tema, só me lembro da figura patética de Louçã, olhos a saltar das órbitas e língua a estralejar os erres do costume chamando parasita ao governo).

É uma sensação estranha, este regresso àquilo que me parece uma acabada impossibilidade de escaparmos ao fado da pequenez (o tal Portugal dos Pequeninos), quando a única coisa que parece restar dos desejáveis engenho, dedicação e sentido de serviço público é esta patética forma de nos enlearmos nas tricas domésticas, à revelia dos acontecimentos que verdadeiramente deveriam interessar os portugueses, quer do ponto de vista de andarem bem informados como, sobretudo, preparados, para nos perfilarmos junto dos nossos parceiros na análise e na solução das grandes questões internacionais.
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Domingo, Julho 12, 2009

Vou ali e já venho



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Vou ali e já venho. Ainda agora cheguei e estou de abalada outra vez o que, independentemente de outros factores meramente circunstanciais, pode significar, perigosamente, que ando a trabalhar demais para o meu gosto.

Fiquem-se com a tempestade perfeita e com o grande «Grand skipper» que nos saiu na rifa, que eu já venho. Sexta-feira estou por aí, de novo. Se puder e tiver tempo irei passando pela blogo, até porque eu quero saber como é que foi o terceiro dia do Cristiano Ronaldo em Madrid e saber melhor aquela coisa do fantasma do Michael Jackson. A CNN desmentiu, mas eu nestas coisas do «além» sou muito respeitador, que com estas coisas não se brinca e Deus castiga-nos, e eu vi, eu bem vi, aquela sombra misteriosa lá numa das salas da neverland. Estarei atento, portanto.


Dakar (Senegal) - Mercado
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A salada do José ( * )


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Na questão das candidaturas dúplices do PS, Sócrates informou a vassalagem que está farto (Sócrates farta-se com facilidade, farta-se que se farta…) de explicar. E explica outra vez: «a posição para o Parlamento Europeu teve a ver com o que consideramos de importância política sendo as candidatas que mais se destacaram no Parlamento Europeu e com isso dar à delegação portuguesa uma afirmação superior no contexto do Parlamento Europeu», explicou, cada vez mais farto, que os portugueses (e as portuguesas) são assim meio para o burrote. É que a prioridade política da Ana Gomes e Elisa Ferreira são as candidaturas às câmaras, ou seja, destacaram-se no parlamento europeu mas a prioridade, essa, é das candidaturas e por outro lado esta maçada do intervalo das legislativas e das autárquicas serem com quinze dias de intervalo não ajuda nada, porque a prioridade europeia não ofusca a candidatura vencedora de cada uma das duas socialistas, e depois esta decisão do Partido de não permitir candidaturas em duplicado quando foi tomada, já a decisão das candidatadas estava tomada, uma maçada, uma trapalhada, isto da política é difícil, mas daqui para a frente é que é. A Sanfona não gosta mas não tem outro remédio senão ir afinar o instrumento para Alpiarça ou, então, dar uns concertos em S. Bento, agora tudo ao mesmo tempo não dá, ou há moralidade ou comem todos (neste caso, todas), com a excepção já bem explicadinha da Elisa e da Ana, ainda por cima a Ana já disse que não precisa disto para nada porque já foi embaixadora e se quiser pode ser embaixadora outra vez e a Elisa se perder o Porto sujeita-se ao cinzento de Bruxelas, tudo a bem da Nação. Não pode é haver mal-entendidos e vistas bem as coisas Alegre tem razão porque tem que haver moralidade, mas ao mesmo tempo não tem razão coisa nenhuma porque a Elisa e a Ana foram apanhadas a meio e Alegre está a embirrar, é o que é, ele podia e devia muito bem estar calado porque estas duas … pois, já se explicou lá em cima, além de que, e para que conste, Alegre também foi candidato a PR e não deixou de ser deputado por causa disso, então e o milhão?

Não se percebe bem esta salada? Sócrates tempera-a bem, no Público. Qualquer tergiversação da coisa é pura má vontade. É da oposição. Da reacção (aqui está um termo que cai bem dizer de vez em quando para não se diluir nesta apagada e vil ausência de ideologia do presente). É do governo anterior, é da campanha negra, é do clima, é da tempestade perfeita. E não há nada pior que a coisa tergiversada.

Já devíamos estar habituados, que Vitorino bem nos avisou, a tempo e horas. Se não estiverdes (habituados) ainda vão a tempo. Custa um bocadinho mas não dói por aí além.

(*) Sabem os apreciadores de séries televisivas americanas, cinéfilos, residentes na zona metropolitana de Los Angeles e turistas não acidentais que há restaurantes na cidade que criam e anunciam saladas com o nome de celebridades. Sócrates, não escaparia.

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Sexta-feira, Julho 10, 2009

A tempestade imperfeita


[3237]

Sócrates veste a pele de George Clooney e compara a crise do nosso país à Tempestade Perfeita. Por mim, por uma vez, concordo com o homem. Tirando a parte da imagem retórica em que Sócrates se compara a Clooney e que as ondas maiores que temos por aqui são aquelas do Guincho, o resto bate certo. Vai tudo ao fundo, morre tudo e acaba a história. Ah! Outro ponto de discordância. É que depois, da catástrofe, não me parece que, no nosso caso, haja muita a gente a chorar em terra. Ainda outro «Ah!». Tanto a Mastrantonio como a Diane Lane são mais giras que Câncio ou a Maria de Belém e, imediato por imediato, o Mark Wahlbergh é muito mais pachola que o doutor Santos Silva.

Vistas bem as coisas a única coisa verdadeiramente plausível é a distinta possibilidade de o barco ir ao fundo. Ah! (Um último «Ah!»). No filme, o barco afunda-se cheio de valioso peixe. O nosso barco, infelizmente, está teso que nem um carapau, leia-se sem carapau nenhum, já que estamos a falar de pesca.

Resumindo e concluindo. O Grande Líder vai ao cinema mas não lê as legendas. E como o seu inglês técnico é tão perecível como o chicharro depois de dois dias sem frigorífico, depois saem-lhe tiradas metafóricas destas, sem metáfora nenhuma, tudo baralhado.

A culpa é da Manuela que deve ter rasgado o guião original e inventado outra história qualquer. Só pode.
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Quinta-feira, Julho 09, 2009

Ai eles são os filhos da nação

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Viver em Portugal começa a ser penoso. O governo Sócrates, como disse e repeti por várias vezes, tornou-se um embaraço para quem tenha um mínimo de dignidade, sentido das coisas e amor-próprio. As pessoas, já mais ou menos conhecíamos a farinha com que eram amassadas. Mas
ouvir e ver manifestações boçais aos gritos de «Sócrates, escuta, és um filho da puta» e «O Sócrates não cumpriu, vai para a puta que o pariu», por entre petardos e bombas de fumo, envergonha profundamente. E não colhe dizer que Sócrates anda a colher os ventos que semeou e outras coisas do género. Sócrates é o primeiro-ministro e se bem me lembro foi uma maioria clara que o elegeu. E se não gostam, esperem mais um bocadinho e votem noutro. Assim que é. Agora vir para a rua nestes termos faz-me acreditar, cada vez mais, que não somos dignos disso que por aí anda e que insistimos em chamar de democracia. E que a turba boçal em que a maioria de nós se está a tornar confunde com esta forma de se exprimir.
A notícia do Público foi, entretanto, alterada.
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Os tiros bons e os tiros maus. Ou o cu e as calças do problema


[3235]

Quando se fala de polícias e ladrões e, consequentemente, nos tiros de cada um, que é como quem diz os «tiros bons» e os «tiros maus», costumo dizer que já dei para este peditório. De um lado acha-se que esperar e exigir da polícia mais firmeza na contenção dos meliantes, com o recurso a armas de fogo se for caso disso, remete para a nostalgia de um hipotético estado policial em que os meliantes devem levar um tiro nos miolos se espirrarem durante um interrogatório. Ou meterem o dedo no nariz. Do outro, advoga-se a garantia de que qualquer energúmeno, a canalha por assim dizer, pode paulatinamente agredir, roubar ou, até, se a vítima for muito incómoda ou recalcitrante, dar-lhe um tiro. Porque é pobre, porque é excluído, porque é preto, porque está frio, porque fomos negociantes de escravos, porque as autarquias não mandam arranjar as redes das balizas dos campos de jogos dos chamados bairros problemáticos ou por outras incidências bem conhecidas (e usadas) pelos defensores do homem novo que deverá ter a capacidade de uma hermenêutica pericial que lhe permita avaliar todos os cenários de cada vez que se leve um tiro. De um ou do outro lado.

Disse que já dei para este peditório mas a verdade é que cada vez que um polícia dá ou leva um tiro, as claques regurgitam o verbo adequado à situação. Como se faz aqui e onde não se perde pitada de tudo o que aconteça para se vincar bem a tese de que sim, no fundo, no fundo, os culpados são sempre a polícia ou quem acha que a polícia deve agir com mais firmeza e com mais tiros, sem estarem sujeitos ao escrutínio posterior dos burocratas do costume. No cu e nas calças da Fernanda, salvo seja, encontramos de novo e sempre esta forma enviesada de analisar o assunto. A autora diverte-se imenso a explanar as suas teorias e a vituperar tudo o que cheire a qualquer atitude que possa lembrar ou conduzir ao tal estado securitário que a direita tanto emula (pensa ela).

Por estas e por outras, e no meu sinceramente modesto entendimento, é que cada vez há mais tiros nos polícias, a juventude se afoga numa iliteracia deprimente e as prisões se arriscam a ser convertidas em turismo de habitação. E se me perguntarem, ao falar na educação e na justiça, o que é o cu tem a ver com as calças eu diria que sim, que tem. Tem tudo. E que a solução estaria mesmo na firmeza com que na maioria das situações analisadas pela Fernanda, se baixasse as calças a muita gente e se lhes aplicasse um bom par de açoites.
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Quarta-feira, Julho 08, 2009

Agradecimento


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Quero agradecer, com muita sinceridade, a todos os que felicitaram este blogue pelo «penta» (para usar a feliz expressão do Jorge Ferreira do Tomar Partido), quer através de comentários, quer através de mails ou posts. Decidi não individualizar os agradecimentos, ao contrário do que gosto de fazer, pela simples razão de que o Technorati, em definitivo, deixou de merecer qualquer confiança, e poderia deixar alguém para trás.

Para todos um grande abraço e obrigado.

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Angola aos pedaços ( 2 )


Para os que conhecem: Cachoeira, na estrada que liga o Sumbe/Porto Amboim à Gabela. É uma estrada recentemente pavimentada, de elevada qualidade, que serpenteia serra acima, mas muita perigosa pela sinuosidade e pela humidade do piso devido aos nevoeiros intensos e quase diários nesta altura do ano. Nota-se na foto um pé solitário de café, um indício de que a produção de café está a ser dinamizada, de resto pelo «nosso» Nabeiro através dos Cafés Delta. Apesar de tudo, o café produzido não chega ainda sequer para o consumo nacional.

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Conforme referi em post anterior, tive ocasião de viajar quase um par de milhares de quilómetros em Angola, por estrada, coisa que não fazia há muitos anos. Ir a Angola significava, para mim e muitos como eu, ir a Luanda e fraldiscar no Hotel Trópico onde se tratava de tudo o que havia para tratar até se ir jantar a um qualquer restaurante da ilha.

Desta vez viajei de carro e a primeira impressão é a qualidade das estradas. Largas, bom piso, boas marcações horizontais e verticais, são hoje ligação cómoda e rápida entre praticamente todas as capitas de província daquele extenso território de 1.200.000 km2 onde Portugal cabe catorze vezes e mais uns trocos. E é nesta parte que reparamos que os angolanos substituíram o perigo das minas antigas pelo perigo de se matarem diariamente através do binómio estrada boa/carro bom que claramente domina o interior do país. Na verdade, apesar da superior qualidade das estradas, há um número preocupante de acidentes mortais que aparentemente se explica por isso mesmo.

Há qualquer coisa que me faz meditar na inegável herança portuguesa neste povo longínquo que para além de dispor de sumos Compal, água de Luso, vinho alentejano ou duriense, sardinhas algarvias, manteiga açoreana ou cerveja Cristal, entre provavelmente centenas de outros artigos made in Portugal, herdou um comportamento na estrada que só pode ter permanecido através da nosso legado de gente que guia como se tivesse acabado de roubar o carro. Aceito que a situação em Portugal é hoje melhor, há menos acidentes, menos mortos e um melhor comportamento na estrada. Diria que em Angola estão na nossa fase de há trinta anos atrás em que à velocidade desajustada à topografia do terreno se junta aquela forma estouvada que alardeamos em mais ou menos tudo o que fazemos. O resultado está à vista com acidentes mortais diários a polvilharem as excelentes estradas do país.

Nota: Há milhares de motos no interior de Angola. Qualquer posto de abastecimento de combustível tem, normalmente, um amontoado (em Angola não há bichas, há aglomerações) de muitas, mas muitas dezenas de motos que são o transporte de excelência no exterior. Quer para transporte próprio quer para fazer de táxi. As motos são chinesas, muito baratas (uma 250 c.c. pode custar cerca de não mais que US$1000) e de marcas inimagináveis como «leopardo», «leão da savana» e/ou termos regionais. São motos de conceito antiquado mas design mais ou menos actualizado e apelativo. Enxameiam as pequenas povoações ao longo da estrada e há uma espécie de liturgia a seguir no seu abastecimento, como me foi explicado e que consiste no abastecimento diário na quantia exacta do resultado da actividade do dia. Nem mais, nem menos. Isso, aliado ao monopólio da distribuição de combustíveis da Sonangol origina aglomerações de mais de uma centena de motos nas bombas. Curiosamente, os motociclistas facultam a passagem de um carro ao local do abastecimento, abrindo alas á sua passagem àqueles que, como eu, pensavam que teríamos de aguardar que cem motos fossem abastecidas até chegar a nossa vez. Cá está uma simpatia que os angolanos devem ter herdado de todas a gente que não dos portugueses, com certeza absoluta.

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Terça-feira, Julho 07, 2009

Cinco anos a entreter-me


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O Espumadamente cumpre hoje 5 (cinco) anos.

Foi bom, foi gratificante, conheci muita gente interessante e passei a ser uma pessoa mais bem informada desde que um dia resolvi aderir ao «sistema» com o propósito único de puro entretenimento, tal como reza o banner do template (ena, esta do banner do template soa bem, iniludivelmente. Curioso é que nem banner nem template dão erro ortográfico no computador…).

Um obrigado sincero a todos os que por aqui passam e aqui ergo uma taça de «espumante» convosco. Sem vocês, certamente que já teria parado há muito tempo.
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Foi bonita a festa, pá

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Por muito que custe à intelectualidade da paróquia, um jovem de 24 anos que consegue espoletar uma festa como a de ontem no Santiago Bernabéu e a presença de Eusébio consubstanciam um caso de mérito e de glória a que não é possível ficar indiferente.
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Há por aí uns desvalidos aos tiros aos polícias


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O PS, como representante natural da chamada esquerda democrática, ao longo dos tempos foi moldando a sua militância política às realidades da vida e à necessária racionalidade que impede a loucura. Daí que travestida do pragmatismo que não pode contornar por força de, frequentemente, ser poder, se tenha agarrado ao tratamento das causas nobres, abraçando-as e mimando-as com o desvelo que só a esquerda sabe acomodar e usar. Para isso incorreu e incorre no uso e abuso de uma série de dislates que enformam uma atitude de diálogo e prodigalidade cujos resultados não seriam difíceis de prever. Sobretudo na educação, na justiça e na segurança, são bem visíveis os resultados de uma política de desculpabilização e garantismo idiota e da utopia rebuscada do homem novo, no caso da educação. Estão aí os resultados, uma justiça emperrada e entupida em códigos e procedimentos inenarráveis, uma educação que nos faz pensar que a breve trecho seremos um punhado de gente absolutamente incapaz de pronunciar duas frase seguidas com sentido e uma segurança em que o ataque a tiro a polícias passe a ser assunto corrente e que serve apenas ao enriquecimento curricular dos atiradores.

O caso recente dos dois polícias abatidos (um deles parece que ficará cego de uma vista) mereceu pouco mais que uma patética intervenção de Rui Pereira (onde ridiculamente os alegados foram excluídos) rapidamente dissolvida nos outros acontecimentos do dia a dia, que o Cristiano Ronaldo estava a ser ovacionado por 85.000 pessoas aqui ao lado e o Eusébio tinha sido convidado.
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Faccioso - Radical livre


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O Faccioso cumpriu seis anos (!!!) e o seu autor, o António Torres, mantém um estilo muito próprio de mordacidade na análise quase quotidiana da vidinha do nosso país. Só isso bastaria para que eu mantenha uma leitura diária do blogue e a considere muito gratificante, mas há, evidentemente, mais. Linguagem escorreita, ideias claras e aquele sentimento de que cada vez que o lemos ficarmos com a sensação de que gostaríamos de ter dito o mesmo.

Long live o Faccioso e

Tchin Tchin

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Segunda-feira, Julho 06, 2009

Menino aqui, 2.000.000 acolá


[3228]

Colho a sensação de que esta gripe suína, mexicana ou H1 não das quantas está a ser gerida assim a modos de quem vai ao supermercado e arruma o carro às três pancadas, por cima dos riscos brancos. É que a ministra faz declarações mansas e protectoras, segundo as quais de vez em quando baixa um «menino» (como eu gosto desta linguagem moderna) ao D. Estefânia, os casos em Portugal «vão» em 42 e dá conferências de imprensa garantindo que não há motivos para alarme, mas apenas para «alerta». Por outro lado o Dr. Francisco George vai dizendo nas notícias matinais de hoje que é de esperar que num futuro relativamente próximo 20% da população portuguesa (2.000.000, cá pelas minhas contas que eu nisto sou bem mandado e sigo o legado do dialogante Guterres) seja infectado. O Dr. George frisou bem o infectado, deduzi depois que isso significa que não teremos necessariamente 2.000.000 de «meninos» com baixa no D. Estefânia, ou seja a situação é grave mas nem por isso, há que tomar cuidados, sendo que um deles é lavar as mãos.

O que me pasma no meio de tudo isto é a habitual trapalhice e o ar estouvado com que tratamos dos nossos problemas. Havia que esclarecer os portugueses se a situação é potencialmente perigosa ou não passa de uma vulgar sessão de espirros e expectoração que devamos aguardar lá mais para o Outono, quando as rádios começam a anunciar os acentuados arrefecimentos nocturnos. A verdade é que vistas as coisas assim, o que percebo é que Ana Jorge (que apareceu mais na televisão nos últimos quinze dias do que em todo o mandato) aparece a falar de cada vez que baixa um «menino» e nos vai instilando a ideia de que coisa é simples e sem grandes perigos, «naquilo que são» os efeitos da gripe e no espaço de escassos minutos aparece o Dr. George a dizer que muito possivelmente teremos 2.000.000 de portugueses infectados a breve trecho e que não será muito grave mas, assim como assim, o melhor é irmos lavando as mãos.

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